quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Valeu Giuliano

A venda de Giuliano é dada como fato consumado por alguns dos principais dirigentes do Inter. O clube, na manhã desta quinta-feira, comunicou em seu site oficial que o craque da última Libertadores da América irá à Europa realizar exames médicos no FC Dnipro, da Ucrânia. Assim que saírem os resultados dos testes, as tratativas serão concluídas.

A negociação engordará os cofres colorados com cerca de 10 milhões de euros (R$ 22,5 milhões). A diretoria encara a venda como um processo inevitável. O Inter vem negociando jovens atletas sistematicamente, ano após ano, como forma de poder manter outros jogadores no elenco e, assim, ter um time competitivo – Nilmar, Alexandre Pato e Rafael Sobis passaram pelo mesmo processo.

O dinheiro da venda de Giuliano não terá reflexo imediato em outras negociações, especialmente a busca por um centroavante de renome. São situações separadas.

- A venda do Giuliano é pela saúde financeira do clube. Não tem relação com outras negociações – disse o vice-presidente de futebol do Inter, Roberto Siegmann.

O Inter contratou o meio-campista em dezembro de 2008. Nas duas temporadas seguintes, Giuliano se transformou em uma das principais peças do elenco vermelho, embora não tenha conseguido virar titular absoluto. Foi fundamental na conquista da Libertadores, com seis gols marcados, quase todos decisivos. Virou o talismã dos colorados.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Amélia é que era mulher de verdade

Tente imaginar: você é um cara feliz e bem casado. Sua mulher é jovem e talentosa, todos a desejam, embora ninguém faça propostas indecorosas. Tudo vai bem, é uma alegria só. Ela reclama, vez ou outra, uma mesada maior. Você não dá ouvidos e a vida segue numa boa. Um dia ela olha pra sua cara e diz: “tô indo embora, vou morar na França, vou conhecer o mundo e o mundo vai me conhecer”. E parte assim, sem mais nem menos. Vai pra França. Depois Espanha e Itália. Você entra em depressão, perde os sentidos, vai à lona, vira um sujeito de segunda classe. Mas lentamente coloca a cabeça pra fora do buraco e se acostuma com aquela nova vidinha mais ou menos, sem muita coisa acontecendo. E assim passam-se dez longos e penosos anos. Volta e meia, durante este período tenebroso e sem dinheiro (ainda por cima vendo seu vizinho muito bem de vida) você escuta falar da sua ex-mulher. Na Europa, todos são encantados com ela – prestam-lhe muitas homenagens, o que aumenta sua raiva. Você considera toda a família da sua ex-mulher como traidores, todos. Principalmente o irmão mais velho, que é o principal conselheiro dela. São anos e anos de ódio mortal.

Mas eis que um belo dia essa mesma mulher, inacreditavelmente, lhe telefona e diz: “quero voltar, sempre te amei”. Você sabe que ela já não é aquela mulher de outrora. Está gordacha, bunduda, desinteressada da vida. Vive na balada, bebe, fuma e tem alguns hábitos noturnos preocupantes. Mas ela olha pra você, sorri com aqueles dentes inconfundíveis e você esquece de todos seus defeitos. E ela, claro, aproveita pra pedir alguma coisinha a mais pra voltar: “amor, sei que não é barato, mas você paga a minha mudança de volta?”. Você fica todo feliz, faz empréstimos pra pagar a mudança e aproveita pra dar uma melhorada na casa. Você pensa até em mudar de casa em breve, não quer mais aquela saudosa maloca. Você quer proporcionar o melhor dos melhores da vida. Afinal ela é uma diva internacional, mesmo que decadente. Ela merece regalias e um tratamento diferenciado. Ou merecia, você nem sabe mais, de tão embriagado pela inesquecível festa que está organizando. Pede dinheiro pros parceiros mais chegados, faz reuniões exaustivas pra checar se está tudo certo, prepara uma grande recepção, de cinema.

Então você vê no jornal a sua ex-futura-mulher casando, com pompa e circunstância, com um carioca famosão, sorridente e simpático, embora com a maior fama de picareta. É o fim: mais uma vez você vira alvo fácil para chacotas de todos os tipos. Você vai à lona de novo, dessa vez com uma dor de corno jamais vista. E a maior cara de bobalhão.

Mas a vida continua, amigo. Pena que você já está se acostumando com isso. Se ela ligar choramingando, você embarca de novo.

Texto escrito por Raul Krebs, blogueiro do Inter na Globo.com